A dúvida
Sei da dúvida constante, Da fome de beleza, Da ânsia voraz pelo poema E do canto das baleias , Das açucenas , Sei das madrugadas desenhadas, Pela chuva branda ou açoitada, Dos ventos que gritam, gemem E sussurram nas noites afogadas Pelo silêncio e o mar Sei da luz molhada pela lua, Com pressa de regressar ao Sol E da certeza inexorável Que os anos fogem aos dias, Como pássaros sem norte E como valeu a pena a vida Se o olhar ainda for sorriso No último dia da viagem.