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Acabou!?

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O amor acabou E não me apercebi A chama apagou-se, O fogo fugiu das veias, A morte surgiu devagar, Sem morfina a aliviar a dor do fim O amor acabou, E não me apercebi Êxtase, deslumbre, Terra há muito descoberta, Que depois de tomada, Desbravada, torturada Perdeu o encanto, o mistério Tudo o mais que a celebrava Até se perder ... e a mim ...

Absurdo

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Vi hoje um pavão exibir a cauda, pintada de estrelas únicas e abissais como buracos negros, a dançar, sinuoso, enquanto encantava a fêmea baça e discreta que lhe dará a prole. E só me vinha à ideia as fadas do lar, do hoje e do antigamente, à espera que o dono da casa e delas, lhes passasse a mão na cabeça e perguntasse se o jantar estava na mesa … E elas, também baças e discretas diziam sim, que o jantar estava pronto. E sentavam-se então, de boca fechada e olhar resignado, a servir o bife de 300g., sempre mal passado, porque ele era um "mouro de trabalho" e precisava comer bem, mais as batatas cortadas finas, para ficarem estaladiças, enquanto debicavam um pouco disto ou daquilo e iam e vinham à cozinha, pressurosas, a buscar o vinho esquecido, o pão, ou a manteiga, desejando que o tempo da refeição acabasse rápido e ele saísse para ir ter com os amigos ao café, ou adormecesse sentado à frente da televisão, para evitarem as mãos pesadas e o cheiro do corpo suado, mais a obr...

Devaneios

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Sinto e penso... Até demais Pensamentos raros, Obscuros Desejos improváveis, Interditos Perdas constantes, Mágoas Sonhos repetidos, Traumas Retrato nebuloso, Parcelar, De quem sabe do existir, Dos universos, Do mistério da vida, Da beleza da lágrima, Do lírio E do orvalho inevitável, Ao amanhecer Quando a cidade acorda À espera do Outono, Implacável

Poesia

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Liberto a poesia das palavras, Para que ela, imaculada, Caia do espaço, sem volteios Semente nova a lançar à terra Desnuda, crua Poesia livre para beber O verde da árvore, A seiva do poente Amazona a galope dos sentidos, Sem medo, aço nos olhos, Na mão, ternura A criar um mundo diferente, Para lá do ódio, da loucura Onde o silêncio seja rei E as palavras mais pequenas

Turbilhão

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O tempo parado, A tua boca Ávida da minha, Viagem tonta, entontecida, Mente enublada e os sentidos O gozo do toque, O odor diferente E o turbilhão a sufocar a alma Inclemente, Amor único a nascer Flor, límpida de cor, água, Como outra mente A saber o que sinto, A saber o que sentes

Recomeços

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Palavras e palavras, Ininterruptas, A cortarem a pele, a cavarem a carne Palavras como facas afiadas Que interrompem o sono, os sonhos Provocam a náusea e o vómito E esmagam o estômago Enquanto a razão foge E a mágoa acontece À espera que o tempo nasça novo Os sons se esgotem, E o espírito serene o corpo Para recomeçar sem medo

Quebrar

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Não, não quebres o silêncio, meu amor Deixa os olhos se abraçarem, Os dedos ansiosos desfrutarem a pele, Esquece o mundo, o tempo, Descansa a ternura nos meus braços E espera a manhã acontecer Depois, quando for hora de palavras Dá-me a tua mão e diz apenas - estou aqui

Nunca quis

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Nunca quis o sabor da tua boca, O toque do teu corpo, O odor acre do sexo Apenas o calor das mãos, O ombro firme, O silêncio difícil, cúmplice Na hora do cortar das asas E do abismo me chamar perto, Quando o medo assombrava, E o sono era impossível, A ternura insistente, constante, Abraços que pareciam eternos E depois a fuga, sem mais … Ficaram os porquês, mais os lírios

Tempo

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Queria sentir o meu corpo a enrolar-se no teu E a minha pele a respirar a tua Depois perder-me, Encontrar-me… Esperar o momento do tempo cessar, Da terra deixar de girar E do universo se esquecer de expandir Queria sentir o meu corpo Como se fosse uma ave a abrir as asas No primeiro voo, Como se a terra acabasse de nascer E o sol descobrisse o fogo Depois deixar a noite amanhecer, O orvalho acetinar o verde das folhas E agradecer a vida a ser vivida

Lobisomem

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Há um lobisomem  Escondido nas trevas, Atrás das portas, Agora que a centelha se foi E as nuvens se concentram, Irremediáveis Há um lobisomem escondido Nos abismos da terra, do mar Boca sedenta, à espera De carne fresca, distraída, De cérebros inocentes Mentes frágeis, vulneráveis Um lobisomem, Que surge inesperado De dentro das memórias, Dos medos, das histórias Monstro que transforma a razão A suga e passa ao lado, Omnipresente A tentar sempre seduzir e enganar, Para se sumir satisfeito no vazio, Quando o medo se espalha Porque a batalha foi ganha